A Frequência da Escuta.
Acalmar o sistema nervoso é mais do que relaxar o corpo: é mudar de frequência. É sair da agitação externa e entrar em um campo mais sutil, onde a escuta se torna possível.
Percebi isso quando buscava respostas sobre a projeção astral. Houve um período em que, mesmo meditando, eu sentia como se meus mentores falassem muito baixo, quase de forma inaudível, e isso me causava certa irritação. Eu me perguntava: "Por que eles não falam mais alto? Por que preciso me esforçar tanto para ouvi-los?"
Hoje compreendo que a questão não estava neles.
Eu simplesmente não estava na mesma frequência. Por mais que limpasse o meu campo áurico diariamente e alinhasse meus chakras, meu sistema nervoso ainda permanecia hiperestimulado. E, nesse estado, o resultado era natural: a comunicação se tornava difícil de perceber com clareza.
A frequência deles vinha da calmaria, do silêncio e da sutileza. Já eu ainda estava conectada à agitação, aos estímulos constantes e ao ruído externo. Mas, à medida que meu sistema nervoso se acalmava, minha percepção se expandia e a sintonia acontecia naturalmente. E, junto com ela, surgia uma compreensão mais lúcida não apenas deles, mas da própria existência ao meu redor.
Por muito tempo me perguntei: “Como a meditação me levou a conseguir escutá-los, se há dias em que não consigo?” Com o tempo, percebi que a resposta não estava apenas na meditação em si.
Pois mesmo em dias tranquilos e durante práticas longas, minha mente ainda podia estar agitada, meu sistema nervoso ainda podia estar em desequilíbrio e eu continuava sintonizada em uma frequência diferente da deles.
Foi então que entendi que a sintonia dependia do meu estado interno. Por isso, em alguns momentos a conexão acontecia naturalmente e, em outros, não. Não porque eles não estivessem presentes, mas porque eu ainda não estava na mesma frequência para percebê-los com clareza.
O excesso de filmes, séries, sons, redes sociais, pressa e informações mantém o corpo em um estado constante de excitação. Aos poucos, isso nos afasta da frequência do silêncio e da presença, onde a percepção se torna mais clara e sensível.
Quando estamos sempre voltados para os estímulos externos, fica mais difícil perceber aquilo que acontece dentro de nós. Por isso, é importante lembrar: o corpo é a âncora que nos sintoniza com a realidade que desejamos experimentar. E acalmar o sistema nervoso é abrir as portas para a reconexão interna, permitindo que a escuta, a presença e a percepção aconteçam de forma mais natural.
Por isso, quando medito utilizando mantras, percebo que consigo escutá-los com mais clareza.
Primeiro, meu corpo se acalma, meu sistema nervoso encontra equilíbrio e minha mente desacelera. Então, a sintonia acontece de forma natural — fluida, leve, sem pressa e sem o excesso de estímulos que normalmente ocupam minha atenção.
O mantra funciona, para mim, como uma âncora, conduzindo minha consciência para uma frequência mais sutil, mais serena e mais próxima daquela em que consigo percebê-los com maior facilidade.
Hoje compreendo que não se trata de forçar a percepção, mas de me manter sintonizada em uma frequência calma, estável e receptiva. Meus mentores não precisam descer até a minha agitação para me mostrar o caminho; ao contrário, eles me auxiliam a compreender o que preciso ajustar dentro de mim para alcançar essa sintonia de forma consciente.
A frequência da calma, da presença e do silêncio vivo é uma das portas de comunicação com o mundo interior e também com a realidade à nossa volta. Foi justamente essa frequência que comecei a acessar quando iniciei minhas práticas de meditação.
Na época, meu objetivo era apenas me acalmar e regular um sistema nervoso que vinha, há muito tempo, atravessando períodos de estresse e tensão. O que eu ainda não compreendia era que, enquanto encontrava esse estado de equilíbrio, também estava fortalecendo uma forma de comunicação que se tornava cada vez mais clara e consistente.
E a meditação foi o instrumento que me permitiu cultivar essa presença. Ela trouxe mais harmonia ao meu sistema nervoso e, junto aos comandos internos que utilizava durante as práticas, ajudou a direcionar minha atenção para dentro, afastando-a gradualmente dos ruídos externos.
À medida que isso acontecia, tornava-se mais fácil perceber aquilo que meus mentores procuravam me comunicar.
Mas uma coisa se tornou clara para mim: quando o corpo encontra quietude e o sistema nervoso se acalma, abre-se um espaço de profunda receptividade. E é nesse espaço, livre do excesso de ruído e da urgência constante, que a comunicação acontece de forma natural, fluida e espontânea.
Esse processo exige entendimento e tempo. Entendimento para reconhecer,
sentir e sustentar a frequência da escuta. E tempo para que essa percepção
amadureça naturalmente, transformando-se em experiência e sabedoria.
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👽 ESCRITO POR:
O Caminho Para Dentro
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